Componentes:
Camila Mecca, Cristiane Tonus, Gabriel dos Santos, Sabrina dos Santos
Turma:
34M
A
QUESTÃO DO TRABALHO NO BRASIL
Quando a agente pensa a questão do trabalho
no Brasil, não podemos esquecer que ele está ligado ao envolvimento do país na trama
internacional, desde que os portugueses chegaram por aqui no século XVI.
Vamos lembrar que a descoberta do Brasil
ocorreu por causa da expansão europeia e pelo desenvolvimento mercantilista. A
produção agrícola para a exportação e a presença da escravidão no Brasil também
estão vinculados à vinda dos europeus.
No final do século XIX, com a abolição da
escravidão, encerrou-se um período de mais de 350 anos de predomínio do
trabalho escravo. Só convivemos com a liberdade formal de trabalho há pouco mais
de cem anos. Esse passado de escravidão continua pesando.
Mas como foi esse processo?
Nas primeiras décadas após a escravidão, os
proprietários de terras procuraram trazer imigrantes para trabalhar em suas
terras. Essa importação de colonos era feita com a ajuda do governo das
províncias, que arcava com os custos da importação e ainda subvencionava as
empresas agenciadoras de mão de obra estrangeira. O sistema então adotado ficou
conhecido como colonato, pois as famílias que aqui chegavam, assinavam um
contrato com os seguintes termos: o fazendeiro adiantava uma quantia necessária
ao transporte e aos gastos iniciais de instalação e sobrevivência dos colonos e
de sua família. Estes, por sua vez, deviam plantar e cuidar de um determinado
número de pés de café.
No final da colheita, seria feita uma divisão
com os proprietários. Os colonos eram obrigados a pagar juros sobre o
adiantamento e não podiam sair da fazendo enquanto não pagassem sua dívida, o
que demorava muito. Assim se criava, o que na época era chamado de
"parceria do endividamento", porque o colono não conseguia pagar o
que devia ao fazendeiro, fazendo passar essa dívida de pai para filho.
A partir do século XX, os trabalhadores
urbanos passaram a reivindicar melhores condições de trabalho, diminuição da
carga horária semanal, melhorias salariais e, ainda, normatização do trabalho
de mulheres e crianças, que eram empregadas em grande número e ainda mais
exploradas do que os homens.
Diante das condições de vida e de trabalho
precários, os trabalhadores iniciaram vários movimentos para modificar essa
situação.
Com o desenvolvimento industrial crescente,
as preocupações com o trabalhador rural continuaram a existir, mas a atenção
maior das autoridades voltava-se para as condições do trabalhador urbano, que
determinaram a necessidade de uma regulamentação das atividades trabalhistas no
Brasil. Isso aconteceu pela primeira vez
em 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas no poder.
Entre 1929 até o final da Segunda Guerra
Mundial, buscou-se uma ampliação do processo de industrialização no país, o que
significou um aumento substancial do número de trabalhadores urbanos. Mesmo o
Brasil da época sendo um país em que a maioria da população vivia em zona
rural. Mantinha-se uma estrutura social, política e econômica vinculada à
terra.
As transformações que foram ocorrendo depois
mudaram a face do país, mas o passado continua influindo, principalmente nas
concepções de trabalho.
Quem nunca ouviu a expressão: "trabalhei
hoje como um escravo!", ou mesmo percebeu o desprezo pelo trabalho manual
e pelas atividades rurais, que lembram um passado do qual a maioria das pessoas
quer fugir.
Mas e a situação atual do
Brasil, como anda?
Nos últimos sessenta anos, convivemos no
país, simultaneamente, com várias formas de produção.
Vamos pensar em exemplos dessa diversidade.
-
Temos os trabalhadores, indígenas ou não, que tiram seu sustento coletando
alimentos da mata, conhecidos como povos da floresta;
-
Trabalhadores da agropecuária, compreendendo os que ainda trabalham com enxada
e facão e os que utilizam maquinários da mais alta tecnologia;
-
Trabalhadores empregados em indústrias de transformação ou de produção de bens,
seja em grandes empresas nacionais ou internacionais, ou em pequenas fábricas
"de fundo de quintal";
-
Trabalhadores nos setores de serviços e de comércio, que reúnem a maioria das
pessoas;
-
Trabalhos administrativos, em empresas de organização públicas e privadas, desenvolvendo
desde as atividades mais simples, como servir cafezinho, até as mais completas,
como gerenciar uma equipe;
-
Crianças que trabalham em muitas das atividades descritas;
-
Trabalhadores submetidos à escravidão por dívida.
Em 2005 a maior parte da população vivia em
zona urbana, completamente diferente da população essencialmente rural de
sessenta anos atrás. Isso significa, que em apenas sessenta anos, tivemos uma
transformação radical no Brasil.
Mas e a questão do
desemprego?
O desemprego, mesmo depois de tantas
mudanças, continua sendo um dos grandes problemas nacionais.
Na agricultura houve a expansão da
mecanização, ocasionando a expulsão de inúmeras pessoas, que tomaram o rumo das
cidades.
Na indústria a crescente automação das linhas
de produção também colocou milhares de pessoas na rua.
Para termos uma ideia do que aconteceu nesse
setor, na década de 1980, para produzir 1,5 milhões de veículos, as montadoras
empregavam 140 mil operários. Hoje para produzir 3 milhões de veículos, as
montadoras empregam apenas 90 mil.
Esse quadro só poderá ser mudado com mais
desenvolvimento econômico, dizem alguns. Outros afirmam que é impossível
resolver o problema na sociedade capitalista, há ainda os que consideram o
desemprego uma questão de sorte.
Todas
essas explicações podem conter um fundo de verdade, mas, está faltando uma
explicação, que deixará claro que o desemprego não é uma questão individual nem
culpa do desempregado. Essa explicação está na política econômica desenvolvida
no Brasil há décadas. É também resultado de uma política monetária de juros
altos.
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