terça-feira, 26 de maio de 2015

Texto "Autoconhecimento é fundamental"

Autoconhecimento é fundamental

            O conceito de liberdade está ligado à ideia de livre arbítrio, ou seja, poder de decidir sobre o próprio destino. Contudo, por mais que a raiz desta concepção permaneça a mesma desde a Grécia Antiga, houve uma grande mudança de lá pra cá.
Hoje a liberdade é entendida na esfera individual e não coletiva. Com isso, ao invés de liberdade, no singular, vamos ter liberdades, no plural, pois cada indivíduo teria direito de expressá-la.
A busca pela liberdade é um caminho para a felicidade. Há uma ideia de que ser livre é poder agir para desfrutar de um prazer imediato. Ser livre atualmente também significa poder desfrutar dos prazeres da vida e do corpo. Isso era impensável nos primeiros anos do cristianismo, em que a liberdade estava associada à superação das tentações da carne e do corpo pecador.
A liberdade continua restrita à necessidade de se adequar à vida em sociedade. No contexto social, é livre quem exerce sua liberdade até o limite da liberdade alheia. Quem não se importa com os outros só se sentiria mais livre se estivesse vivendo isolado em uma ilha. Caso contrário, acabaríamos por nos privar da liberdade que temos, já que os outros também se sentiriam no direito de exceder os nossos limites.
Considerando que toda ação chama uma reação, fazer o que quer sem pensar nas consequências não torna ninguém mais livre nem garante a conquista da felicidade. Exemplo claro disso é o desabafo. Você pode até falar o que quer para o outro, exercitando a sua liberdade de expressão. Porém, desta maneira, estará se tornando um prisioneiro da sua emoção descontrolada.
Segundo Paixão, só é livre quem conhece a si mesmo e ao mundo em que vive. Quanto mais conscientes estamos dos conflitos internos e, ao mesmo tempo, quanto mais maduros estamos para lidar com a pressão dos outros e da sociedade, mais livre seremos. A questão não é não ter limites e restrições, e sim conhecê-los e saber trabalhar dentro deles.
Precisamos do outro para ser você mesmo. Estar bem informado sobre o que acontece de fato no mundo também é uma condição essencial para se sentir mais livre.
Há quem tenha dificuldade para lidar com a liberdade, já que ela traz como consequência a necessidade de se assumir a responsabilidade pelos próprios atos. As pessoas erram mais quando se sentem mais livres. Por outro lado, também aprendem com seus erros e, em etapas seguintes, elas acertam mais.
 A liberdade também é um mau negócio para quem desconhece seus interesses, necessidades e vontades pessoais. Quem não é capaz de decidir sobre os rumos de sua própria vida acaba fazendo escolhas ruins. Só quando nos tornamos senhores da própria consciência e recuperamos a capacidade de raciocínio, discernimento e reflexão sobre as coisas, que exercermos positivamente o nosso livre-arbítrio.
Levados à luz os conceitos com os quais se desenvolverá o tema, é importante prosseguir. Buscar-se-á desenvolver neste trabalho respostas aos questionamentos centrais acerca da liberdade de expressão tomando por base uma proposição muito desenvolvida pelo inglês John Stuart Mill conhecida por princípio do dano, segundo a qual a liberdade de expressão tem seu limite no ponto em que provoca danos diretos e inequívocos a terceiros.
 A liberdade consiste em poder fazer tudo aquilo que não prejudique outrem: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão os que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela Lei. (Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 1789, art. 4º)
A liberdade de expressão, constitui uma parcela da liberdade individual tão importante quanto a liberdade de ir e vir, pois expressar-se criticamente é uma propriedade humana.
Logo, conclui-se que a verdade também não pode ser limite para a liberdade de expressão. O limite da liberdade de expressão é o dano que causa aos demais.
Se um indivíduo católico resolve, por exemplo, entrar em discussão com um protestante por conta de suas convicções religiosas? Ainda que um deles se sinta ofendido, eles têm o direito de discutir livremente tais ideias. Entretanto, e se o mesmo indivíduo católico resolve proclamar em frente a uma multidão violenta em frente à casa do protestante que este é o responsável pelos males que todos sofrem? Neste momento, a questão muda de perspectiva e passa de uma simples discussão intelectual para uma incitação à violência, sendo assim, o católico deve ser impedido pelo Estado de realizar tal conduta. Em outro exemplo, tem-se o caso de um indivíduo que resolve publicar em redes sociais falsas denúncias contra um desafeto seu nas quais o acusa de pedofilia. Apesar de, aparentemente, o indivíduo estar exercendo sua liberdade de se expressar, o crime de calúnia no qual incorre proporcionará terríveis consequências ao seu desafeto como a perda de emprego e relacionamentos, sendo assim, o Estado deve intervir e punir tal conduta.
A liberdade de expressão é essencial para o bem-estar intelectual da sociedade, auxiliando no desenvolvimento das ciências e das artes, mas, como destacado neste trabalho, assim como a liberdade de ação, ela deve possuir limites. Destacadas as possibilidades da ofensa e da verdade das ideias constituírem-se como limites para a expressão das ideias, notou-se que nenhuma se tornou suficientemente sólida para ocupar tal lugar.
Sendo assim, desenvolve-se a ideia do princípio do dano dentro do âmbito da liberdade de expressão e conclui-se que a liberdade de manifestar-se pode ser realizada até o momento em que não causará prejuízos diretos e evidentes a demais indivíduos, sendo dever do Estado coibir e/ou punir as ações que transgridam este limite. No caso, entretanto, da máquina estatal não mover esforços para coibir ou punir as ações danosas a outrem, por indiferença ou desconhecimento, é direito do cidadão denunciar a situação sem, entretanto, estar incorrendo em uma ofensa ao princípio do dano, pois, na realidade, o que o cidadão busca é proporcionar que ele seja respeitado através da punição da atitude denunciada.
Liberdade é respeitar as próprias escolhas e o limite dos outros


Franciele Lagunaz e Vanessa de Ávila, da turma 25TP.

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