sexta-feira, 15 de maio de 2015

Texto "O trabalho e sua necessidade na evolução social"

O trabalho e sua necessidade na evolução social

Se há no mundo algo que tenha mudado muito de conceito, é o trabalho. Nos primórdios da existência humana o trabalho era apenas uma indispensável rotina para manter a vida. Nossos antepassados da época da pedra trabalhavam apenas para saciar suas necessidades que, naquela época de pouco luxo e diversas dificuldades – uma eterna luta do homem contra os obstáculos naturalmente impostos pela vida – É totalmente aceitável afirmar que aqueles povos sequer tinham um conceito formado para o trabalho.
 As ferramentas se aperfeiçoaram, os governos, as políticas, as cidades, também...  Logo as ferramentas eram de metal, havia a forja que logo depois originou o artesanato, que levou ao trabalho de servidão e com os anos passando chegou até a era industrial. Com muita luta os trabalhadores conseguiram direitos que perderam-se – ou talvez nunca tenham existido na história – a classe operária ganhou notoriedade e foi  apartir daí que diversos tabus do trabalho começaram a despencar.
Não só a conceptualização mudou como o método também mudou.  Nossos ancestrais da época da pedra juntavam alguns materiais que em seus conhecimentos poderiam ser úteis e usavam em via de cavar, caçar, recolher raízes entre outras tarefas. As ferramentas foram evoluindo junto com a organização social, e essa organização social foi indiretamente influenciada pelo trabalho – afinal era muito mais fácil dez seres humanos sobrevivem ao perigoso mundo primitivo em aliança, cada um com sua função, do que separados, tendo de sozinhos, manterem a própria vida.
Falando em conceitos a palavra trabalho remete a um interessante significado grego, a palavra preceptora do termo era “Tripalium” que em uma tradução literal do latim, significa “Castigo” era usada para descrever as atividades que faziam os escravos, ora de uma simples necessidade o trabalho passava a ser um tanto pejorativo.
Os antepassados gregos acreditavam que o homem livre tinha o direito de estar em ‘ócio criativo’. O mundo evolui, passa por mudanças e é alterado desde que é mundo, logo esse é mais um conceito que atualizando – e dando um segundo salto temporal – hoje é absolutamente impensável, pode-se dizer que é o exato contrário, hoje o trabalho define muito sobre a opinião que uma pessoa terá sobre a outra. A sociedade é dividida também pelo trabalho, a ideia de alguém que não trabalha é hoje definitivamente inconcebível como algo positivo, o pensamento popular já se dirige automaticamente a um estereótipo de fracasso – que muitas vezes é a exata realidade – Hoje é valorizado o trabalhador que obtém sucesso em seu ofício.
O mundo é capitalista, e como indica o nome, no capitalismo tem sucesso aquele com maior acumulo de capital. O trabalho está totalmente ligado ao capital, o que faz o mundo capitalista realmente girar é o trabalho. As industrias estão interligadas, alterações causam enormes solavancos na economia, que como uma bem elaborada sequencia de dominós arrasta todas as outras peças que compõem o mundo globalizado.
O status que a posição profissional de um indivíduo lhe confere determina muito sobre sua personalidade e sobre a forma que a sociedade como um todo terá por visão. O que é valorizado é mutável – A história prova isso – mas que há uma valorização é inquestionável, outrora era passível de distinção o “trabalho braçal” do “trabalho intelectual” seus valores eram advindos da cultura da sociedade, mesmo em determinado ponto na linha do tempo, uma cultura diferente podia representar um valor diferente nessas divisões funcionais.
Um exemplo é Esparta e Atenas que, mesmo existindo no mesmo tempo e uma localidade consideravelmente próxima – onde hoje é a Grécia – Ambas as polis assimilavam uma diferente hierarquia para essa divisão, tendo uma valorizando o aspecto mais “físico” (Esparta) e a outra o aspecto mais “pensante” (Atenas) É claro é apenas uma exasperação, ambos tiveram muita importância para os rumos que tomou as mudanças sociais, mas é um grande exemplo de que enquanto houve essa diferença de sub conceituação, haverá uma diferença de valores.
Hoje é diferente, é quase impossível dizer que há serviço puramente intelectual ou puramente braçal, claro há predominância para um dos aspectos, mas a miscigenação é clara. Afinal em uma sociedade contemporânea, não há espaço para que haja sucesso para um almejo em direção única e puramente especifica, o mercado é concorrido e quanto mais qualificações melhor é a chance de sucesso – E eis que entramos novamente no sucesso/fracasso do mundo capitalista.
Em uma sociedade tão afincada a valores econômicos e suscetível a pequenas variações desse setor, é com segurança que pode-se afirmar que o trabalho é hoje fundamental para o ser humano. O modo de vida do mundo atual é inatingível sem uma grande cota de trabalho (Tanto de predominância intelectual quanto braçal).    O mundo busca a evolução tecnológica, o avanço da ciência, e isso só é possível com resultados de inúmeras pesquisas que são, como tudo, enredeadas em uma enorme teia onde, o trabalho é um dos pilares.
De certa forma o trabalho continua ligado a uma necessidade humana, o modo de viver quase não possui semelhanças nítidas com a vida de mais de milênio atrás, mas certamente para que haja a vida conhecida é necessário ainda conquistá-la o trabalho é o meio para que essa conquista seja viável, criando um objetivo, e um sentido para uma completa amplitude na vida humana. Afinal sem as conquistas e os prazeres trazidos pela vitória, não haveria razão para ter uma necessidade, esta só surge quando queremos manter algo e, manter a vida é sempre um objetivo precioso para a maior parte dos seres humanos.
O trabalho afasta de nós três grandes males, o tédio o vício e a necessidade.” – Voltaire. 


Ana,,33MP

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