História do Trabalho no Brasil
O
trabalho no Brasil sofreu significativas mudanças, ao lado das transformações
políticas, econômicas e sociais que o país sofreu ao longo de sua história.
Foram três as fases que foram marcadas por características específicas das
relações de trabalho: a escravidão no período colonial, a transição do trabalho
escravo para o trabalho livre e, finalmente, a nacionalização da força de
trabalho na industrialização. Em nenhum momento, porém, uma fase negou
completamente a outra; certas características das relações de trabalho na
colônia se transformaram em feridas cujas cicatrizes são possíveis de serem
vistas até hoje, principalmente no campo.
Caio
Prado Jr., quando trata sobre o Brasil Colônia, vai dizer que a colonização
aconteceu em torno de um sentido que, simplificadamente, era o de gerar
riquezas e excedentes à metrópole. Neste contexto, o trabalho e o tráfico de
escravos agiam como fatores determinantes para esse sentido ser possível. O
trabalho escravo se tornou então, predominante no Brasil Colônia. O escravo
negro foi uma conseqüência da lucratividade do tráfico e, por causa disso, a
proteção jesuítica dos índios e a demanda pelo trabalho escravo indígena
oscilavam entre a oferta e a falta de mão de obra vinda da África.
O fato de
o trabalho ser exercido quase que exclusivamente por negros, fazia o trabalho
ser visto como algo degradante e, por isso, não havia gente que se
disponibilizasse a trabalhar. Sérgio Buarque vai dizer ainda que o português
que aqui chegava, vinha com o “espírito de aventura” e a busca de riqueza fácil
e ascensão social, ou seja, “o que o português vinha buscar era, sem dúvida, a
riqueza, mas a riqueza que custa ousadia, não riqueza que custa trabalho.”
Ainda
neste contexto, vemos uma categoria social que se encontrava à margem e nada
contribuía para o sentido da colonização: os desclassificados sociais. São
aqueles homens livres que não trabalhavam porque o trabalho era degradante e
também não eram donos de terras e, por isso, eram vadios que viviam a sombra de
algum coronel, reafirmando o patriarcalismo da sociedade colonial.
No século
XIX, o sistema escravista começa a entrar em crise por causa de uma série de
fatores externos, entre eles a pressão vinda por parte da Inglaterra para o fim
da escravidão e o fim do tráfico negreiro. Isso levou à falta de oferta de
escravos e, consequentemente, o aumento do preço. O escravo estava muito caro e
a lavoura cafeeira estava sendo obrigada a comprar escravos do Nordeste que, em
decadência e sem um carro chefe para a economia regional, estava cada vez mais
empobrecida em relação ao Vale do Paraíba e ao Oeste Paulista. Assim,
contraditoriamente, a região mais pobre do país estava fazendo uso do trabalho
livre por falta de escravos e, por causa disso, , sugerindo que acontecesse a
Abolição; enquanto que a região mais pobre, estava fazendo uso de todos os
meios para conversar o trabalho escravo.
No
entanto, isso não possível. Com a Lei de Terras e a vinda dos imigrantes, a
elite cafeeira conseguiu manter mão de obra disponível através de um sistema
que não era nem servil nem assalariado. O colonato, que foi a forma encontrada
pelos cafeeiros de garantir mão de obra, era uma relação não capitalista em que
o colono trabalhava nos cafezais e numa cultura de subsistência numa pequena
parte da propriedade que lhe era cedida. O “salário” ao final da produção,
portanto, não era o essencial e nem o fundamental para o colono.
Nesta
fase a transição o que ocorreu foi a adaptação do trabalho livre ao regime
servil. Por mais que houvesse uma remuneração simbólica ao final da produção, o
colono era cativo da terra em que trabalhava, era visto como inferior em
posição semelhante ao do negro escravo.
Enfim,
a partir de 1930, com a industrialização, o Brasil passou a fazer uso da mão de
obra nacional e categorias assalariadas como médicos, engenheiro e arquitetos
passaram a existir. No entanto, as cicatrizes ficaram.
Getúlio Vargas
A
Consolidação das Leis do Trabalho foi um conjunto de regras criadas para
proteger o trabalhador. A lei que estabelece a CLT data de 1º de maio 1943, mas
as normas em favor do trabalhador começam ainda no início do governo de Getúlio
Vargas, nos anos 30. Entre os direitos garantidos, estão o salário mínimo, a
carteira de trabalho, a jornada de oito horas, as férias remuneradas, a
previdência social e o descanso semanal. A CLT regulamentou ainda o trabalho da
mulher e do menor de idade e estabeleceu a obrigatoriedade do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS). A assinatura da lei aconteceu no Estádio São
Januário e foi marcada por muitas comemorações.
PEC das
Domésticas
A CLT
comemora 70 anos em 2013, mas os direitos de muitos empregados só foram
estendidos para os trabalhadores domésticos décadas mais tarde. A carteira
assinada, por exemplo, virou um direito das domésticas apenas 30 anos depois,
em 1973. E o direito às férias remuneradas em 2006. Para mudar a situação
desses trabalhadores, a PEC das Domésticas foi promulgada no dia 2 de maio de
2013 pelo Congresso Nacional. A Proposta de Emenda à Constituição garante
direitos aos trabalhadores domésticos, como jornada de trabalho de 44 horas
semanais, pagamento de horas extra e adicional noturno. O direito ao FGTS
aguarda ainda regulamentação para ser garantido, assim como o direito à indenização
em caso de despedida sem justa causa e o seguro-desemprego em caso de
desemprego involuntário. Ao trabalhador urbano foi feito a CLT e, através
dos sindicatos estes trabalhadores sempre tiveram meios de reivindicar seus
direitos.
Por outro
lado, a industrialização do Brasil aconteceu sem a companhia da reforma
agrária. Assim, a partir de 1950, essa mão de obra expropriada do campo começou
a enfrentar dificuldades para ser absorvida e isso tem gerado miséria tanto no
campo quanto nas cidades.
O
patriarcalismo, a elite fundiária atuando no cenário político, trabalhadores se
submetendo à trabalhos análogos ao da escravidão, a existência de grandes
latifúndios, o difícil acesso à terra, são ainda fatores que permeiam a
realidade brasileira no século XXI.
Desemprego no Brasil
O desemprego ocorre quando um trabalhador é demitido ou entra
no mercado de trabalho (está a procura de emprego) e não consegue uma vaga de
trabalho. É uma situação difícil para o trabalhador, pois gera problemas
financeiros e, em muitos casos, problemas psicológicos (depressão, ansiedade,
etc.) no trabalhador e em sua família.
Principais causas do desemprego
- Baixa qualificação do trabalhador:
muitas vezes há emprego para a vaga que o trabalhador está procurando, porém o mesmo
não possui formação adequada para exercer aquela função;
- Substituição de mão de obra por
máquinas: nas últimas décadas, muitas vagas de empregos foram fechadas, pois
muitas indústrias passaram a usar máquinas na linha de produção. No setor
bancário, por exemplo, o uso de caixas eletrônicos e desenvolvimento do sistema
bankline também geraram o fechamento de milhares de vagas;
- Crise econômica: quando um país
passa por uma crise econômica, o consumo de bens e serviços tende a diminuir.
Muitas empresas demitem funcionários como forma de diminuir custos para
enfrentar a crise.
- Custo elevado (impostos e outros
encargos) para as empresas contratarem com carteira assinada: este caso é
típico do Brasil, pois os custos de contratação de empregados são muito
elevados. Muitas empresas optam por aumentar as horas extras de seus
funcionários a contratar mais mão de obra ;
- Fatores Climáticos: chuvas em
excesso, secas prolongadas, geadas e outros fatores climáticos podem gerar
grandes perdas financeiras no campo. Muitos empresários do setor agrícola
costumam demitir trabalhadores rurais para enfrentarem situações deste tipo.
Em março, a taxa de desemprego no país subiu e os
salários tiveram redução, conforme apontam os números divulgados pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28).
A desocupação aumentou para 6,2% no terceiro mês do ano. O índice é o
mesmo registrado em março de 2012 e o maior desde maio de 2011, quando chegou a
6,4%. No mês anterior, o indicador havia chegado a 5,9%. A taxa foi considerada
a maior para fevereiro desde 2011.
“A gente vê de janeiro até março uma tendência de elevação da taxa de
desocupação. A gente vê que é a tendência de início de ano para todos os anos.
Esse primeiro trimestre sempre tem essa tendência”, analisou Maria Lucia
Vieira, gerente da Pnad do IBGE.
A população desocupada somou 1,5 milhões de pessoas, mostrando
estabilidade na comparação com o mês anterior. Frente a 2014, houve aumento de
23,1%. A população ocupada foi estimada em 22,8 milhões. Já o número de
trabalhadores com carteira de trabalho assinado no setor privado ficou estável
em 11,5 milhões.
“A população desocupada, embora crescendo, está crescendo num ritmo
menor. E a população ocupada, embora diminuindo cada vez mais, a gente espera
que esses indicadores obedeçam a tendência, que começa a apresentar queda de
desocupação a partir do mês de abril.”
O nível da ocupação, que é a proporção de pessoas ocupadas em relação às
pessoas em idade ativa, foi estimado em 52,1% em março.
"Em relação a março de 2014, ao mesmo tempo a gente vê aumento da
população desocupada e da população não economicamente ativa", afirmou.
Salário
O rendimento médio dos trabalhadores chegou a R$ 2.134,60 – 2,8% abaixo do valor de fevereiro R$ 2.196,76. Essa queda é a maior desde janeiro de 2003, quando o indicador recuou 4,3%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a retração foi de 3%, a maior desde fevereiro de 2004.
“Não é só inflação, tem queda no rendimento nominal também. As pessoas
estão recebendo menor rendimento de trabalho. Os trabalhadores estão recebendo
menos.”
Na análise dos tipos de atividade, a maior queda no rendimento médio em
relação a fevereiro foi em construção (-5,6%). Frente a março de 2014, a maior
redução ocorreu em comércio, reparação de veículos automotores e de objetos
pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-5,2%).
Regiões
O desemprego cresceu Rio de Janeiro (de 4,2% para 4,8%), mas não teve alteração nas outras regiões analisadas. Na comparação com março de 2014, em Salvador a taxa foi de 9,2% para 12,0%; no Recife, de 5,5% para 8,1%; em Porto Alegre, de 3,2% para 5,1%; no Rio de Janeiro, de 3,5% para 4,8% e em Belo Horizonte, de 3,6% para 4,7%. Em São Paulo, o desemprego ficou estável.
Você sabia?
- Pleno Emprego ocorre quando em um
país ou região todos os trabalhadores em situação de trabalho encontram-se empregados.
Ou seja, o mercado de trabalho está em nível de equilíbrio. É uma situação
extremamente favorável para a economia de um país.
- Segundo o IBGE, no mês de março de
2015, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,2%. Foi o maior índice
para o mês de março desde 2012.
- A geração de empregos no Brasil em
2014 foi a pior em 12 anos. Foram criados, no ano, cerca de 397 mil postos de
trabalho.
- A taxa de desemprego média anual de
2014, no Brasil, ficou em 4,8%, de acordo com o IBGE (em 2013 tinha ficado
em 5,4%). Foi a menor taxa média anual da série histórica.
Michele Galvagni e Géssica Vitter Turma: 32M
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