segunda-feira, 6 de julho de 2015

Texto – Filosofia Medieval

A Filosofia na Idade Média na Europa

Durante o período conhecido como Idade Média não haviam os sistemas de governo que conhecemos hoje, a vida se organizava de acordo com o juramento servo e suserano, um dos pontos mais importantes nesse período, que garantia a riqueza do senhor feudal. Mas como garantir que alguém cumpra esse juramento? Seres humanos nascem sem conhecimento algum, e se não forem ensinados a cumprir algo, eles nunca o farão, pois acharão que tem liberdade para fazer outra coisa ao invés disso. O catolicismo foi adotado nesses lugares, ensinando valores aos camponeses, fazendo com que eles deixassem de ser tábuas rasas, dando-os um objetivo claro na vida: cumprir com aquilo que é o certo (por exemplo, o juramento servo e suserano), desse modo podendo ir ao céu.
            Contudo, uma ideologia não se ergue do dia para a noite, e no primeiro período da filosofia medieval, surgiu um movimento em um período em que havia muitas doutrinas e idéias diferentes dentro dos seguidores da fé católica. Além disso, era necessário convencer os não-católicos de que sua religião era mais verdadeira que a deles. A esse movimento, do século I ao VII, foi dado o nome patrística, que vem da palavra padre.
            O principal representante dessa época é Santo Agostinho, filho de um pai pagão, batizado pouco antes da morte, e de uma mão católica fervorosa, que exerceu grande influencia sobre o filho. Ao virar padre, Agostinho se dedicou a doutrina com rigor, escrevendo diversos sermões famosos. Além disso, ele tentou comprovar através da argumentação e das evidências empíricas a existência de seu deus. Para isso, ele se inspirou no platonismo. Porém, ao contrario de Platão, ele valorizava o conhecimento vindo dos sentidos, pois levando à felicidade ou não, conhecimento ainda é conhecimento. Mas antes de provar a existência de seu deus, ele precisava de uma verdade que fosse absoluta, e ele obteve. Ele existia, e não só como um corpo que na pensa, mas sim como um ser que possuía uma existência espiritual. Agora temos as evidencias empíricas: para ver um objeto é necessário mais que a visão e o objeto em si, também é necessária luz no ambiente para que se possa ver o objeto, essa luz no ambiente geraria o conhecimento. Portanto, não basta ter nossa existência espiritual e a verdade imutável para gerar conhecimento, é necessária a luz de Deus para que possamos atingir algo.
            O segundo movimento desse período é a escolástica, que tem esse nome porque era ensinada nas escolas católicas, entre o século IX e XIV. Diferentemente da patrística, seu principal objetivo não era conquistar mais fiéis, e sim conciliar a fé e a razão.
Inspirado em Aristóteles, São Tomás de Aquino é o principal representante deste movimento. Para ele a fé e a razão não são contraditórias, pois ambas vem Dele. Ele reescreveu toda a obra conhecida de Aristóteles de acordo com os ideais cristãos. Para provara existência de Deus, ele criou as cinco vias, cinco argumentos que indicam a existência de Deus.
Primeiramente, movimento. Todas as coisas se movem: os planetas, as estrelas, as pessoas, os rios. Tudo que constitui algo está em constante movimento e transformação. Bem, uma garrafa não vai se mover sem que alguém mova ela. Se existe movimento, também há algo o provocando. Esse agente é sempre externo. Se tudo o que se move, possui outro agente por trás, algo tem que ter começado a cadeia infinita de movimentos, ou seja, Deus.
Em segundo lugar, causalidade. Esse argumento comprova que todos os causadores de um movimento são externos. Em um jogo de hóquei, o disco não consegue ir ao gol sozinho, ele precisa que um jogador o impulsione. O disco não se move por si só. Dá mesma forma, a perna não se move sem o resto do corpo, e o corpo não existe sem alimento, que não existe sem uma base da cadeia alimentar, e assim sucessivamente.
Em terceiro lugar, possível e necessário. Tudo o que nós conhecemos, não são eternos, são contingentes. Nascem se transformam e morrem. Nesse caso, havia um momento em que o nada existiria, e um momento em que tudo começou, impulsionado por algo. Por isso, seria necessário um deus para dar esse impulso inicial. Mesmo na atualidade, com a teoria do Big Bang, esse argumento ainda é válido. A bola de fogo que originou nosso universo, só explodiu graças a uma série de ondas vindo de algum lugar, e mesmo os cientistas não podem negar que essas ondas vieram de algum lugar.
Em quarto lugar, graus de perfeição. Tudo é um pouco de cada coisa, bom, mal, verdadeiro, etc. Mas para nós dizermos que alguém é, por exemplo, alto, é porque alguém é mais baixo. Não existe caracterização sem que se possa estabelecer uma comparação com outra coisa. Segundo São Tomás de Aquino, “existe algo que é, para todos os outros entes, causa de ser, de bondade e de toda perfeição: nós o chamamos de Deus.”
Em quinto lugar, finalidade. Tudo se move em alguma direção, com algum objetivo. Um arco só atinge o alvo porque ele existe, o alvo existe, e um arqueiro também. Sem que o arqueiro queira que a flecha atinja o alvo, nada acontecerá. Esse arqueiro seria Ele.

Ana Vitória S. Vicineski
Lelícia M. T Troian

Vivian Mattos

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