Fé
e Razão no pensamento medieval
A
Escolástica e a Patrística foi um movimento cristão do século IX ao século XVI
onde padres da igreja católica buscou responder as exigências da fé, ensinada pela Igreja,
considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristandade,
responsável pela unidade de toda a Europa,
que comungava da mesma fé. A filosofia,
que até então possuía traços marcadamente clássicos e helenísticos,
sofreu influências da cultura judaica e da cristã a partir do século V,
quando pensadores cristãos perceberam a necessidade de aprofundar uma fé que
estava amadurecendo, em uma tentativa de harmonizá-la com as exigências do
pensamento filosófico. A
escolástica possui uma constante de natureza neoplatônica,
que conciliava elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual,
reinterpretadas pelo Ocidente cristão. E mesmo quando Tomás
de Aquino introduz
elementos da filosofia de Aristóteles no pensamento escolástico, essa
constante neoplatônica ainda
é presente. Chamamos
de “Padres da Igreja” (Patrística) aqueles grandes homens da Igreja que foram
no Oriente e no Ocidente como os “Pais” da Igreja, no sentido de que foram eles
que firmaram os conceitos da nossa fé, enfrentaram muitas heresias e, de certa
forma foram responsáveis pelo que chamamos hoje de Tradição da Igreja e
responsável pela elucidação progressiva dos dogmas cristãos e pelo que se chama
hoje de Tradição Católica. Santo
Agostinho e Tomás de Aquino são dois filósofos cristãos. Ambos têm a afirmação
de que o homem é um composto de alma e corpo. Porém há diferenças na forma de
cada uma destas substâncias, alma e corpo, se relacionar no homem, e também na
função que cada uma exerce no ser. Na própria fundamentação da união da alma com o
corpo, Agostinho e Tomás se divergem. Para Agostinho o fundamento é metafísico
e está na função mediadora da alma entre as ideias divinas e o corpo. O corpo
devido a sua extensão espacial é incapaz de participar direto nas ideias. Ao
contrário a alma por sua natureza espiritual, abre as portas para as ideias
divinas. Mas o fato é que o corpo graças à alma participa da sabedoria
suprema e da verdade imutável, “ideias divinas”. Por ser mediadora cabe a alma
dominar o corpo submetendo-o a si mesma, a Deus. Já
para Tomás não podemos fazer a divisão que a alma por natureza tende a Deus e o
corpo tende às leis e os números que está sujeito, “mundo sensível”. Vejamos
que em Tomás a alma se une ao corpo por que sem ele, ela seria incompleta. Esta
união é vista de forma substancial e não acidental. Resultando da união
substancial não é possível separar os atos da alma dos atos do corpo. Os atos
são do homem, ou seja de todo o composto. Homem = composto que é diferente de
homem = corpo e alma. Basicamente, a questão-chave que vai atravessar todo o pensamento
escolástico é a harmonização de duas esferas: a fé e a razão. O pensamento de Agostinho, mais conservador, defende uma subordinação maior da razão em relação à
fé, por crer que esta venha restaurar a condição decaída da razão humana.
Enquanto que a linha de Tomás de Aquino defende uma certa autonomia da razão na
obtenção de respostas, por força da inovação do aristotelismo, apesar de em nenhum momento negar tal
subordinação da razão à fé.
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Brenda, Taina, Ethiele e Jaqueline 22MP
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