quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Texto - Filosofia Medieval

Nome: Kauane, Laura, Shayanne
Turma: 26 T



Patrística
A matriz platônica de apoio à fé
Patrística é o conjunto de vários textos sobre a revelação e a fé cristãs. Uma das principais correntes da filosofia patrística buscou a conciliação entre o cristianismo e o pensamento pagão, seu principal expoente foi Agostinho.
Santo Agostinho
Aureliano Agostinho (354-430) despertou para a filosofia com a leitura de Cícero, orador e politico romano que se caracterizou por seu ecletismo, tendência filosófica que buscava um acordo entre os ensinamentos de distintas escolas.
Mais tarde, Agostinho passou a lecionar em Roma e posteriormente em Milão. Então cresceu e aprofundou-se nele uma grande crise existencial. Foi nesse período critico que se sentiu atraído pelas pregações de Santo Ambrósio, bispo de Milão. Pouco tempo depois se converteu ao cristianismo.
Superioridade da Alma
Agostinho argumenta em favor da supremacia do espirito sobre o corpo, para ele, a alma teria sido criada por Deus para reinar sobre o corpo, dirigindo-o para a pratica do bem.
O pescador, entretanto, utilizando-se do livre-arbítrio, costumaria inverter essa relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma.
A verdadeira liberdade, para Agostinho, estaria na harmonia das ações humanas com a vontade de Deus e seria obtida pelo caminho que vai do mundo exterior dos sentidos ao mundo interior do espírito.
Liberdade e Pecado
Outro aspecto fundamental da filosofia agostiana de que a vontade não é uma função ligada ao intelecto, conforme diziam os gregos: ela é um impulso que nos inclina, desde nosso nascimento, às paixões pecaminosas.
A liberdade humana derivaria de uma vontade viciada que alimenta o pecado, não da razão que tende a discernir o que é bom do que é mau.
A vida neste mundo seduz por causa duma certa medida de beleza que lhe é própria, e da harmonia que tem todas as formosuras terrenas. Por todos esses motivos  e outros semelhantes, comete-se o pecado, porque, embora sejam bons, se abandonam outros melhores e mais elevados, ou seja, a Vós, meu Deus, à vossa verdade e à vossa lei.
Para Agostinho, o ser humano não pode ser autônomo, pois sempre estará inclinado ao mal e a praticar o pecado e somente com a graça divina ele poderá se salvar.
Precedência da fé
Agostinho também discutiu a diferença entre fé cristã e razão, afirmando que a fé nos faz crer em coisas que nem sempre entendemos pela razão, dizia ser necessário crer para compreender, pois a fé ilumina os caminhos da razão, e a compreensão nos afirma a crença posteriormente. Isso significa para Agostinho, que a fé revela verdades ao ser humano de forma direta e intuitiva. Depois vem a razão, desenvolvendo e esclarecendo aquilo que a fé já antecipou. Há para ele uma precedência da fé sobre a razão.
Influência Helenística
O pensamento agostiano reflete sua trajetória intelectual anterior à conversão ao catolicismo, quando sofreu a influência do pensamento helenístico.
Do maniqueísmo, o filosófico herdou uma concepção dualista no âmbito moral, a luz e as trevas, a alma e o corpo. Nesse sentido, dizia que o ser humano tem uma inclinação natural para o mal, para os vícios, para o pecado.
Considerando o mal como o afastamento de Deus, defendia a necessidade de uma intensa educação religiosa, com a finalidade de reduzir essa distância.
Do ceticismo a permanente desconfiança nos dados dos sentidos, no conhecimento sensorial, que nos apresenta uma multidão de seres mutáveis, flutuantes e transitórios.
Do platonismo, Agostinho assimilou a concepção de que a verdade deveria ser buscada intelectualmente no “mundo das ideias”. Por isso defendeu a via do autoconhecimento, como instrumento legitimo par a busca da verdade.
Da mesma forma que os olhos do corpo necessitam da luz do sol para enxergar os objetos os objetos do mundo sensível, para ele, os “olhos da alma” necessitam da luz divina para visualizar as verdades eternas da sabedoria.
Escolástica
Voltando até o contexto histórico, no século VIII, Carlos Magno organizou o ensino e fundou escolas ligadas às instituições católicas. Com isso, a cultura greco-romana voltou a ser mais divulgada. Era o período da renascença carolíngia.
Adotou-se essas escolas a educação romana como modelo. Começaram a ser ensinadas matérias como o trivium (gramatica, retorica e dialética) e o quadrivium (geometria, aritmética, astronomia e música). Todas elas estavam submetidas à teologia.
Com esse ambiente cultural desenvolveu-se uma produção filosófico-teológica denominada escolástica.
A escolástica não abandonou, em um primeiro momento, a filosofia platônica. Mas, a partir do século XIII, o aristotelismo penetrou de forma profunda no pensamento escolástico, marcando-o definitivamente. Se deveu à descoberta de obras de Aristóteles à produção para o latim de algumas delas, diretamente do grego.
Relação entre a fé e a razão
A busca de harmonização entre a fé cristã e a razão manteve-se como problema. A escolástica pode ser dividida em duas fases:
1.      (do século IX ao fim do século XII)- Confiança na perfeita harmonia entre fé e razão.
2.     (do século XIII ao principio do século XIV)- Elaboração de grandes sistemas filosóficos, merecendo destaque as obras de Tomás de Aquino. Nessa fase, considera-se  a harmonização entre fé e razão obtida.

Estudo da Lógica
A escolástica promoveu significativos avanços no estudo da lógica. Um dos filósofos que mais contribui nesse período foi o romano Boécio. Ele aperfeiçoou o quadrado lógico, foi o primeiro a introduzir a questão dos universais, longamente discutido durante todo o período da escolástica.

Questão dos universais
Esse método privilegiava o estudo da linguagem para depois passar ao exame das coisas. Desse modo, era inevitável que, em algum momento, alguém levantasse a seguinte pergunta: qual a relação entre as palavras e as coisas?
Trata-se da discussão sobre a existência ou não das ideias gerais, os chamados termos universais debate envolveu problemas linguísticos, gnosiológicos e metafísicos, também teológicos, dando origem e duas posições antagônicas, o realismo e o nominalismo.
Realismo
Os adeptos do realismo sustentavam a tese de que os universais existem de fato, por exemplo, a bondade e a beleza são modelos ou moldes a partir dos quais se criam as coisas boas e as coisas belas. Os termos universais seriam entidades metafisicas separadas das coisas individuais.
Essa posição foi defendida por Santo Anselmo e o filósofo e bispo francês Guilherme de Champeaux entre o universo das coisas e o universo dos nomes há uma analogia tal que, quanto mais “universal” for o termo gramatical, maior será seu grau de participação na perfeição original da ideia.
Na mesma linha de raciocínio de Platão, a universal brancura seria mais perfeito do que qualquer coisa branca existente
Nominalismo
Os defensores do nominalismo sustentava a tese de que os termos universais não existem em si, pois são somente palavras. O que são apenas os seres singulares, e o universal não passam de um nome.
Realismo Moderado
Entre essas duas posições contrarias surgiu uma terceira, o realismo moderado, sustentado por Pedro Abelardo. De acordo com Abelardo esses conceitos não seriam nem entidades metafisicas, nem palavras vazias,  mas discursos mentais, categorias logico-linguísticas que fazem a mediação, a ligação entre o mundo do pensamento e o mundo do ser.
A filosofia de Tomás de Aquino teve o objetivo claro de não contrariar a fé, empenhando-se em organizar um conjunto de argumentos e defender as revelações do cristianismo. Ele reviveu o pensamento aristotélico em busca de argumentos que explicassem os aspectos da fé cristã, fez da filosofia de Aristóteles a solução dos problemas teológicos que enfrentava.
Princípios básicos
Enfatizou a importância da realidade sensorial ressaltando princípios dentre os quais se destacam:
·        Princípio da não contradição- não existe nada que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista
·        Princípio da substância- na existência dos seres podemos distinguir a substância ( a essência propriamente dita) do acidente (a qualidade não essencial)
·        Princípio da causa eficiente- todos os seres que captamos pelos sentidos são seres contingentes, não possuem em si próprios a causa de suas existências, para existir depende de outro ser chamado de ser necessário.
·        Principio de finalidade- em todo ser contingente possui uma causa final “razão do ser”
·        Principio do ato da potência-  todo ser contingente possui duas dimensões: o ato e a potencia. O ato representa a existência atual do ser. A potencia representa a capacidade real do ser, é a passagem da potencia para o ato que explica toda e qualquer mudança.

Ser e essência
A distinção do ser e a essência, o que implicou a divisão da metafisica em duas partes: a do ser em geral e a do ser pleno, que é Deus.
Provas da existência de Deus
Aquino propõe cinco vias como provas, fundamentadas na existência do mundo. A ideia básica é a de que, existe o efeito (o mundo), existe a causa (Deus).
·        O primeiro motor- tudo aquilo que se move é movido por outro ser. Esse outro ser, para se mover necessita também de outro ser para se mover e assim sucessivamente. Logo, é necessário chegar a um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus.
·        A causa eficiente- todas as coisas existentes no mundo não possuem em si a causa eficiente de suas existências. Afirma ser impossível remontar indefinidamente à procura das causas eficientes. Logo, é necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente. Essa causa primeira é Deus.
·        Ser necessário e ser contingente- (3ª prova), afirma que todo ser contingente pode deixar de existir. Se todas as coisas que existem podem deixar de ser, então em algum momento nada existiu. Mas se assim fosse, também agora nada existiria, pois aquilo que não existe somente começa a existir em função de algo que já existia. Então é preciso admitir que há um ser que sempre existiu. Esse ser necessário é Deus.
·        Os graus de perfeição- (4ª prova) em relação à qualidade de todas as coisas existentes, pode-se afirmar que há graus diversos de perfeição. Assim estabelecemos que tal coisa é melhor que outras. Se uma coisa possui “mais” ou “menos” isso supõe que deva existir um ser com o máximo dessa qualidade, ao nível da perfeição. Devemos admitir que existisse um ser com o máximo de tudo. Esse ser é Deus.

·        A finalidade do ser- (5ª prova) todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função. Devemos admitir que existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Esse ser é Deus.

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