terça-feira, 14 de abril de 2015

Texto sobre Ceticismo - Turma 25TP

Ceticismo

            Ceticismo é uma corrente de pensamentos filosóficos baseados na dúvida. Também é comum ouvirmos falar que o ceticismo é a própria arte de questionar as coisas a sua volta. Desde que nascemos, existem certas coisas das quais nem nos damos conta de que podem ou não ser verdade. Uma vez que elas sempre existiram e sempre estiveram lá, não há motivo para questioná-las. O ceticismo põe em dúvida tudo isso.
            O fundador desse pensamento é Pirro (365 a 270 a. C.). Esse filósofo grego não nos deixou nada escrito, acreditando-se hoje em dia que ele evitava se comprometer através disso. Contudo, seu discípulo Tímon escreveu documentos, dos quais resta apenas uma parte. Com base nisso, acredita-se que o fundador desse movimento filosófico é Pirro.
            De certo modo podemos afirmar que a filosofia só existe devido ao ceticismo. O objetivo da filosofia seria conquistar uma verdade absoluta, mas como alcançaríamos uma se não houvesse dúvida sobre alguma verdade? Além disso, o conhecimento só surgirá através do diálogo gerado pela dúvida, ou assim diriam os sofistas, mestres da oratória.
            Existem dois tipos de ceticismo, o primeiro deles é o ceticismo absoluto, duvidar de absolutamente tudo, acreditando que uma verdade nunca será alcançada, mesmo com a comprovação de teses. Para Pirro, os conhecimentos vêm dos sentidos, que podem ser facilmente enganados. Além disso, a razão não é absoluta, pois cada pessoa tem um jeito diferente de ver o mundo, portanto, terá razões diferentes. Górgias (485 a 380 a. C.) também afirmava algo semelhante a isso. Primeiro, a não existência do ser: não somos unos, múltiplos, gerado, portanto, somos nada. Em sua visão, não há como comprovar nossa existência. Desse modo, se existíssemos, não seríamos conhecidos. Se podemos pensar naquilo que não existe, há uma separação entre o que pensamos e o ser, impossibilitando seu conhecimento. Além disso, vamos supor que existíssemos e nos conhecêssemos, como iríamos expressá-lo? Através de palavras, mas as palavras são inventadas por nós, e não explicam nada além delas mesmas. Se eu pedir para dez pessoas pensarem em uma flor, todos pensariam na mesma?
            Todavia, também há aqueles céticos que acreditam que podemos saber uma pequena parte da verdade. Esses são os céticos relativos. Tais pensadores se dividem em quatro grupos. O Subjetivismo, no qual o conhecimento é a relação entre o sujeito e o mundo em sua volta. Dessa forma, cada um possui seu próprio conhecimento. O primeiro a pensar desse modo foi Protágoras, que dizia que o homem é a medida das coisas. Medimos o mundo conforme nós mesmos, inclusive a verdade. A verdade é uma construção humana, não podendo estar nas coisas. A segunda doutrina é o Relativismo. A verdade fica limitada a um local em uma época e e determinado contexto histórico, sendo relativa. A terceira divisão é o Probabilismo. Nunca poderemos chegar a uma verdade absolutamente correta, mas podemos chegar a uma verdade provável. As verdades podem ser menos ou mais prováveis, mas nunca absolutas. Já a última corrente, o Pragmatismo o ser humano, além de pensante, é prático, portanto a verdade também deve ser. Desse modo a verdade deve ser ago útil.
            Porém, quando um cético duvida de tudo, como ele pode ter certeza de algo? E quando acredita, como afirmar se está realmente certo? Os céticos se utilizam do ceticismo científico, usando do pensamento crítico, da argumentação e do método científico, que já fora estudado anteriormente, para escrever teses. Tais ideias visam dizer se algo é verdade, ou então se não é. Também há aqueles que se baseiam nas evidencias empíricas para argumentar em suas teorias. Uma evidencia empírica é aquela fundamentada na vivencia da própria pessoa. Santo Agostino se usou disso para comprovar a existência de Deus, como veremos posteriormente.
            Contudo, mais que ajudar a filosofia, o ceticismo tem se mostrado um grande obstáculo para os filósofos contemporâneos. Descartes, pai da filosofia moderna, teve um grande trabalho para criar uma filosofia baseada apenas na verdade. Para comprovar algo, primeiro ele se livrou de tudo o que já conhecia. Para criar um novo jeito de ver a filosofia, ele achava necessário ter quatro regras principais. Primeiramente, a verdade não é verdadeira até ser reconhecida como tal. Os problemas devem ser lidados de forma sistemática. Devemos começar com a coisa mais simples, para ir progressivamente até aquilo que é mais complicado. Tal processo deve ser revisto do começo ao fim para se certificar de que erros não tenham acontecido.
            O ceticismo científico é quando surge uma dúvida baseada em alguma ciência, desde a física até a medicina. O método científico que se utiliza hoje em dia para se comprovar teses nessas áreas é baseado na argumentação e na crítica cética, podemos dizer até que sem o ceticismo não haveria como nossa ciência avançar tanto. Por exemplo, na área do direito, temos Cícero, que trouxe grandes avanços na área relacionada a organização governamental, defendendo um governo em que o povo tivesse poder e liberdade.
            Também podemos considerar a ligação do ceticismo com o dogmatismo. Um é o oposto do outro. Enquanto o ceticismo se baseia na dúvida, o dogmatismo se baseia na crença. Porém, muitos filósofos tinham suas próprias crenças, como Platão e Aristóteles. O Sexto Empírico definiu três tipos de filósofos, os dogmáticos, os acadêmicos e os céticos. Os dogmáticos são os que acreditam que possuem uma verdade. Os acadêmicos admitem que ela não exista, e pararam de procurá-la. Os céticos são os que ainda procuram a verdade.
            Da mesma forma que na ciência, o ceticismo também desempenhou um papel na religião de certa importância. Santo Agostino, concentrando seu pensamento na alma e em Deus, tentou afirmar a existência de Deus com inspiração em Platão. Sua única certeza é a alma, única e imutável certeza. Da mesma forma, contrariou Platão ao dizer que há uma forma de conhecimento que provém dos sentidos. Além disso observou que só enxergamos se houver luz, da mesma forma para haver alma, é necessária uma luz espiritual. Para isso existe deus.
           

Por Ana Vitória Vicineski e Lelícia M. T. Troian da turma 25T

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